quinta-feira, 11 de abril de 2013

AULA DE PRÁTICA POÉTICA
por um civil.

1- VOCÊ COMEÇA COM UMA DIVAGAÇÃO PROPOSITADA

Quem tem o que falar não fica mudo,
pode até entrar calado, mas não sai.
Quem tem vergonha nessa cara de bicudo
bica, desbica, bica de novo e mais...

Hoje sempre é um dia sem precedentes,
quando eu vi florir nos olhos de estranhos,
a coragem que não há em meus parentes,
revelando que não limpa quem dá banho,

perfazendo o estar neste rebanho,
focinho de um, cara de outro, essa gente,
que se acha bem melhor porque é ganho;

mas gente por ser gente, a gente mesma
finda na razão de estar como presente
na ausência de ser um só, e muita a resma.

2 - CONTINUA COM UMA MENÇÃO VAGA DE UM FATO

Passou pelos olhos desconhecidos
minha visão de quando criança eu era
em meio aos dissonantes e feridos
egos que não calam a coisa mera...

A razão agora é só uma: ter razão!
E enquanto os golpes fartos me abalam
- abalado, eu golpeio em contramão,
e mais abalo, mais abalos não se calam.

Deus sendo por todos e eu contra um:
quem contra mim se coloca ou meus anseios,
tenho goela, e não me desse nela zum-zum-zum

de respeitar quem não respeita os nosso meios
em nome de um fim qualquer ou por receio;
eu sou eu e sou maior que vosso "zoom".

3 - TENDO JÁ SUGERIDO A PROBLEMÁTICA,
DENOTA PESSOALIDADE,
ABSTRAI EM TORNO DE UMA CONVICÇÃO PRÓPRIA,
NÃO CITANDO NOMES, CONQUANTO AS PESSOAS SE IDENTIFICAM

Então Vossa Majesta, digo você, vá procurar
o que fazer se já não tens - és tu agora -
o seu lugar! Ocê já sabe que te aturar
é um exercício nulo e de plano não vigora?

O raciocínio não vai nem leva a consciência;
viver apenas não é preciso, mas navegar!
Metódica, prima(do) erro é tua ciência;
nega-se no fatídico de se envergar!

Como uma lei morta, tu és um engodo,
como uma rês morta, fétida atrai
outros perfumes que ali do lado se vende a rodo...

"Tupinicando", veste francês e fala "ai ai...".
Ai! Hitler! Tu tá por fora neste teu lodo
dum nordestino que não viola se deve - e faz!

Dedicados a todos os professores pedantes da FDUFBa,
a eles toda desonra e toda inglória.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

POR UM TRIZ


Caravelas apontam no mar! Doce viagem...
A impressão não dura uma miragem
- Que fazem estes tristes poetas?
Apertam mais do que os laços podem, sós,
e se transformam eles mesmo em seus nós:
o vento bate forte, estão curvas suas retas!

Eis o som arrepiante destas vagas!
As vagabundas estão todas em chagas
de tamanha e acinzentada cidade;
o mato não refugia os campestres,
envoltos num poeiral de mentes e mestres
solapando seus ideais de maldade.

O navio que fundiu uma nação
talvez esteja em meu coração,
pelas fracas vias, aórtica e cava ...
se confesso, não há outra proposta!
se disfarço, minha alma já imposta
não haver vulcão que suporte esta lava!

No mundo novo, nem tudo é tão farto
aqui também se ouvem os gritos do parto
da esperança em ser feliz!
Os poetas são navegantes solitários
que um dia, talvez, sejam páreos
para afirmar que tudo está por um triz!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

FRUTA MADURA



Só de lembrar do doce pecado teu,
do que tanto tacitamente prometeu,
- ser só minha, corpo e alma -,
já me faz adocicado o paladar,
acionado, mesmo longe, o meu radar:
era bom ter tua pele sob a palma.

Inda é bom a memória do teu fogo!
Piso em brasas, sob a égide do rogo
- ter de volta o fogaréu...
Não me queixam os pés, pois toda brasa
é resquício do calor daquela casa
sapecante de prazer deste teu mel.

Não escrevi sobre o busto da amada,
quando o seio desnudo reclamava,
com o meu toque a poesia.
Lá se vão as chances que perdia
a cada noite, cada tarde, cada dia,
vê-la intocável - eu merecia!

Eu fui criança, perdido num jardim,
vi a macieira do amor dizer pra mim,
"come esta fruta, ela é madura!",
mas fui correr atrás de folhas e de flores,
pensando ali estarem certo meus amores,
desemboquei na amargura

de correr desesperado atrás do mundo,
e de num lapso momentâneo, num segundo,
ver a fruta despencada;
inda ouvir a macieira entristecida
dizer-me que a fruta era a minha vida.
E minha vida no chão, despedaçada!

Dos seus pedaços cuido agora com carinho
e não me sinto de verdade tão sozinho
sou feliz pelo contato.
Nas minhas mãos, pedaços me confundem...
sem saber como enfim eles se unem,
mesmo assim inda sou grato!

Nunca mais, nunca mais eu perco a chance
caso um dia esteja ao meu alcance
a maçã mais madura do jardim,
cuidarei de aguardá-la até a cora,
sem tocá-la, nunca mais vou jogar fora
o cuidado, a hora certa, do início o fim.

Seguidores